Agenda econômica de segunda-feira (29 de junho)
Informamos que a Agenda econômica de segunda-feira (29 de junho) elaborado pelo Economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, está disponível para visualização
IGP-M de junho - FGV (8h00)
O IGP-M deve apresentar variação em torno de -0,10% em junho, contra -0,07% no mês anterior e 1,98% em junho de 2008. Com isso, o índice registrará variação de -1,2% no acumulado do ano e alta de 1,5% nos últimos 12 meses (3,64% até maio e 13,44% em junho de 2008). Em termos desagregados, estimamos as seguintes variações: IPA-M (-0,44%); IPC-M (0,18%); e INCC-M (1,5%). O resultado do INCC-M será pressionado pela alta do item mão-de-obra (alta de 3,2% e contribuição de 0,15 p.p. sobre o IGP-M), refletindo a concentração de reajustes salariais no setor de construção. No âmbito do IPA, estimamos alta de 1,0% dos preços agrícolas e queda de 0,9% dos preços industriais.
Ressalte-se que a taxa em 12 meses do IGP-M apresentará forte desaceleração também no próximo mês, haja vista a retirada do elevado resultado registrado em julho do ano passado (1,76%), não podendo se descartar taxa próxima de zero ou até mesmo negativa.
Pesquisa Focus - Relatório de Mercado (26 de junho) - Bacen (8h30)
IPCA
A mediana das projeções para a variação do IPCA deste ano deve se manter, por ora, em 4,4%. Entretanto, a nosso ver, há uma tendência de leve alta em direção ao valor central da meta ao longo das próximas semanas, principalmente se as próximas pesquisas apontarem para um resultado do IPCA acima de 0,25% em junho (mediana atual da Focus). A partir do IPCA-15 de junho (0,38%), que veio um pouco acima do esperado, revisamos nossa estimativa para o IPCA do mês fechado para o intervalo de 0,30% a 0,35%. A nossa projeção para a inflação oficial deste ano se mantém próxima de 4,6%.
Entretanto, para a projeção de inflação de 2010, esperamos manutenção da mediana em 4,3%. Destaque-se que a inflação do ano-calendário de 2010 será beneficiada pela ausência de pressões de alta, presentes neste ano, relacionadas à inércia inflacionária e ao repasse de variação cambial, o que pode permitir uma inflação um pouco abaixo do centro da meta no período. As médias das projeções para 2009 e 2010 estavam em 4,39% e 4,27%, respectivamente, na Focus da semana passada.
Câmbio
Em função das correções nas previsões já realizadas nas últimas semanas, bem como da relativa estabilidade nas cotações à vista em torno de R$ 1,95/US$, achamos que o mercado deverá manter as projeções atuais para taxa de câmbio, à espera de novas informações, sobretudo as advindas do cenário internacional. A última pesquisa Focus apontava medianas de R$ 2,00/US$ para o final de 2009 e de 2010 e médias de R$ 1,98/US$ e R$ 2,04/US$, respectivamente.
Selic
A divulgação da ata do Copom levou a uma pequena redução na mediana das previsões para taxa Selic no final deste ano, de 9,0% para 8,75% ao ano. De fato, a ata confirmou que o ajuste total na taxa básica de juros está próximo do fim, haja vista que a avaliação geral entre os membros do Comitê é que o espaço existente para distenção adicional é residual. A última pesquisa Focus apontava média para taxa Selic em 8,88%. Para o final de 2010, a mediana estava em 9,25% e a média em 9,34%.
Por enquanto, a partir das informações contidas na ata da última reunião do Copom e no relatório de inflação, trabalhamos com uma queda de 0,50 p.p. na taxa Selic na próxima reunião (21 e 22 de julho), para 8,75% ao ano, com boas chances de uma pausa prolongada a partir daí. Entretanto, como a projeção de inflação do BC no cenário de mercado, apresentada no relatório de inflação, ficou bem abaixo do esperado, em 4,2%, contrastando com o que havia sido indicado na ata (ao redor da meta), não se pode descartar um ciclo de corte um pouco mais longo. De acordo com o cenário apresentado pelos analistas de mercado no dia 12 de junho (data de corte), a taxa Selic fecharia este ano em 9% e permaneceria assim praticamente até o final de 2010 (9,14% em dezembro), com taxa de câmbio a R$ 2,00/US$ até o segundo trimestre de 2010, atingindo R$ 2,10/US$ no final do ano.
PIB
As medianas das projeções para o crescimento do PIB devem se manter estáveis em relação ao apurado na Focus anterior (-0,57% para 2009 e 3,5% para 2010). Nossa projeção para o PIB deste ano aponta uma queda da ordem de 0,3%. Portanto, a projeção central do BC, apresentada no relatório de inflação, de crescimento de 0,8%, nos parece muito otimista. Dada uma herança estatística de -2,5% para o resultado do PIB deste ano, já incorporando o resultado do primeiro trimestre, seria necessário um crescimento de 2,3% na margem (9% anualizados), a partir do segundo trimestre, para se atingir a taxa estimada pelo BC. Neste caso, a expansão anual do PIB no último trimestre deste ano (variação sobre o mesmo período do ano passado) estaria girando na casa dos 6%, o que nos parece muito pouco provável, a não ser que haja revisões significativas na base de dados do PIB que venha a alterar para cima a magnitude atual do “carry-over”.
Contas Fiscais de maio - Bacen (10h30)
O superávit primário do setor público no mês de maio deve desapontar, diante do fraco resultado do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) divulgado pelo Tesouro, que apontou déficit de R$ 120 milhões naquele mês, ante superávit de R$ 5,5 bilhões em maio do ano passado. Este fraco desempenho do resultado primário combinado com uma apreciação cambial de 9,2% no mês de maio deverá provocar forte elevação na relação dívida líquida/PIB do setor público consolidado, para um nível próximo de 39,7%, ante 38,4% em abril. Este movimento já tinha ocorrido no mês de abril, quando a dívida líquida subira 0,9 p.p. do PIB, com a maior parte do aumento sendo explicado pela apreciação do real, de 5,9%. De acordo com o BC, para cada 1% de variação na taxa de câmbio, a relação dívida/PIB se altera em 0,14 p.p.
No mês de abril, o setor público consolidado havia registrado superávit primário de R$ 12,5 bilhões. No acumulado de janeiro a abril, o resultado primário atingira R$ 33,4 bilhões, ante R$ 61,7 bilhões no mesmo período do ano passado. A redução do superávit primário no período vem refletindo a combinação de queda na arrecadação tributária, diante da retração da atividade econômica, além das desonerações fiscais e da elevação nos gastos da União com pessoal e encargos sociais. Em 12 meses, o superávit primário atingiu R$ 89,7 bilhões (3,06% do PIB) no final de abril, mas deve recuar para algo entre 2,7% e 2,8% do PIB em maio. Já o resultado nominal fora deficitário em R$ 313 milhões em abril, acumulando R$ 68,7 bilhões nos últimos 12 meses (2,34% do PIB).
Reunião Mensal do CMN
O Conselho Monetário Nacional (órgão composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central) divulgará a TJLP (taxa de juros de longo prazo) válida para o terceiro trimestre, bem como confirmará a meta de inflação para 2010 e definirá a do ano-calendário de 2011. A TJLP está em 6,25% ao ano desde o terceiro trimestre de 2007.
Quanto à meta de inflação de 2011, o mais provável é que, diante das incertezas no cenário internacional, o CMN a mantenha em 4,5%, com margem de tolerância de 2 p.p. para ambos os lados. Nas últimas semanas a imprensa tem aventado a possibilidade de uma pequena redução da meta para 2011, de 0,25 p.p. a 0,50 p.p., como forma de o governo sinalizar o seu objetivo de perseguir uma inflação mais baixa no longo prazo, para níveis semelhantes aos nossos pares. A nosso ver, caso confirmado, essa mudança seria bastante positiva, levando-se em conta o poder de atração que a meta exerce sobre as expectativas de inflação dos agentes econômicos e sobre a própria formação de preços da economia. A meta de inflação de 4,5% vigora desde 2005, mas naquele ano a banda de variação era de 2,5 p.p., intervalo que caiu para 2 p.p. a partir do ano seguinte.
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